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8.21.2013

3 em 1 - #12

Vou trabalhar daqui a uma hora, mas até lá a minha vida é uma seca do caraças. Por isso, se lerem isto, prometo-vos amor eterno.


Jacco GardnerCabinet Of Curiosities (2013)

Não é novidade que a neo-psychadelia esteja a viver em pleno 2013 tempos de glória, celebração e honra. Afinal os anos setenta nunca chegaram a morrer, a apagar-se, a enterra-se; longe disso, cada vez vemos novos nomes a lançarem-se ao legado daquela época: nomes como Tame Impala, Unknown Mortal Orchestra, Foxygen ou, mais recentemente, Jacco Gardner jamais deixarão que tal aconteça. E no caso último, uma particularidade que o diferencia dos restantes: não é só de uns The Beatles ou de uns Pink Floyd mais genéricos que este se aproveita, é mais do génio de Syd Barret, fundador dos Pink Floyd, nos seus registos a solo do que outra coisa. E isso só é bom, conduz a uma pop carismática, de corpo e alma, sem nhonhices em seu redor, sem viagens em vão, directa sem que a sua intenção por aí passe. E a verdade é que todo o Cabinet Of Curiosities, álbum de estreia do holandês, se reflecte um mimo.

Classificação final: 7.9/10



SavagesSilence Yourself (2013)

Diz-se que foram autoras de uns dos melhores concertos da edição deste ano do Optimus Primavera Sound. Não sabemos se assim foi, preferimos estar, se bem não nos falta a memória, a guardar um bom lugar para My Bloody Valentine depois de um concerto estrondoso de uns grandes Explosions In The Sky. A verdade é que o quarteto de senhoras que compõe as Savages é algo a ser levado em conta futuramente; em Silence Yourself houve hype, não muito grande, mas existente. Idolatradas por alguns melómanos, ao ouvir-se o seu disco de estreia sentimos que falta alguma coisa, alguma maturidade, alguma noção mais trabalhada do que é uma canção punk, alguma coesão. Não que o disco não tenha boas canções, Waiting For a Sign ou She Will, por exemplo, são boas malhas, mas o resto parece que está armazenado num tubo de ensaio à espera de uma experiência com melhores condições para que se trabalhe. Até lá, ansiamos por mais, Savages.

Classificação final: 7.2/10



And So I Watch You From AffarAll Heil Bright Futures

Reza a lenda que os ASIWYFA estiveram recentemente no Festival Paredes de Coura e que deram um dos melhores concertos do festival, não sei se é verdade ou não, não estive por lá. Mas acredito que sim, que tenham dado, especialmente depois de terem acrescentado à sua bagagem All Heil Brigth Futures. Pairará sempre a dúvida se este é um disco com uma vertente mais post-rock ou math-rock, mas a cena é que este até consegue ser um disco com potencial para meter toda a gente a gingar (que o diga o Gonçalo Loureiro e o vídeo que uma certa pessoa encontrou no youtube); se lhe chamarmos post-rock, faltam espaços para meditações, para ambiências, viagens e os habitués crescendos. Se lhe chamarmos math-rock, não lhe falta nada (é um disco com um trabalho de guitarras tremendo, um disco que se se tratasse de um rio corria com um caudal medonho), mas há excessos que não o permitem apenas assim definir, nomeadamente no que toca à estrondosa bateria (terá sido o toque Steve Albini?). Sinceramente, não sei o que é esta merda, apenas sei que se trata de um dos discos mais intensos do ano. (PS: O Luís Miguel Vieira é um merdas porque não curtiu do concerto. No mesmo campo, e não só, Sara Gomes, amo-te)

Classificação final: 8.6/10

7.28.2013

3 em 1 - #11

Sou um gajo muito bonito, dou o meu número em mensagem privada. Se estiveres interessada, já sabes. Contacta. Mas ya, isto não é um espaço de promoção pessoal, por isso... aqui fica mais um três em um. Espero que detestem, porque não vos curto. Excepto a ti, claro, que estás a ler isto.

Slow Warm Death - Slow Warm Death (2013)
'Tá fixe, Arctic Monkeys para gente crescida.
Slow Warm Death é uma banda que quase ninguém conhece  - hipsters, cheguem cá todos  -, mas que muitos de vocês, aficionados de bandas como Arctic Monkeys e derivados, deviam conhecer. E digo-o com conhecimento de causa, que se ouçam as três músicas que desenlaçam o disco homónimo da banda norte-americana para que se ganhe consciência que uma das influências vitais no processo de mecanização da sonoridade dos SWD são, indubitavelmente, os tempos em que a banda do cabelo azeiteiro de Alex Turner, como já aqui alguém os definiu, se preocupava realmente em fazer música. Fora disso, aquilo que se pode esperar é garage rock de qualidade inegável. Nem sempre muito primorosa, algo irregular, mas quando tudo está no sítio fabricam-se malhas tão desconcertantes como Sleep, que é um série candidato a melhor primeira música de um álbum de 2013, ou Kill You. Está no spotify e tudo, agora vá: caguem de vez nos Arctic Monkeys, já não estamos em 2008, e ouçam estes gajos.

Nota final: 7.7/10

             The National  - Trouble Will Find Me (2013)
The National é fixe e fofo, mas está-se a tornar sempre a mesma cena :/
Tudo o que têm a saber acerca dos The National é que estes são uma das bandas com uma melhor obra discográfica desde 2005. Trouble Will Find Me, o novo longa-duração, não nos dá nenhuma outra noção que não essa, porém a receita que os norte-americanos nos têm oferecido desde 2003, ou até desde 2001 (com o disco homónimo), parece já começar a cansar um pouco. Não é que Trouble Will Find Me esteja um disco chato, mau ou algo do género; o disco está razoavelmente bom. Mas, pá, e um pouco de mudanças sonoras? Bem, talvez elas não sejam precisas. O pessoal continua a gostar, eu também. Mas quando o amor se rege pela mesmice, tal como os The National se mantêm pela mesmice sonora, parece existir uma trave, uma fronteira. É a fronteira de que nem tudo começa a estar bem. When routine bites hard, love will tear us apart.

Nota final: 7.0/10

                               Sigur Rós  - Kveikur (2013)
Esqueçam o Valtari, os Sigur Rós estão de volta.
1999, Agáetis Byrjun. Tivesse uma qualquer banda uma obra tão, mas tão grande como Agáetis Byrjun que nem precisava de mais nada para ter uma discografia mais rica que noventa e nove por cento das que por aí existem. A cena é que os Sigur Rós não são uma banda qualquer, estão na verdade muito longe de o ser; são um dos nomes que dão singularidade ao post-rock, sendo que são indubitavelmente pioneiros ao conferir uma maior propensão ambiente ao movimento. Tudo isso seguiu-se nos restantes discos dos islandeses, () ou Tákk são exemplos maiores disso. No ano passado lançou-se o execrável Valtari, uma das grandes desilusões do ano. Este ano, com Kveikur, compensaram, e de que maneira, o falhanço de seu antecessor. O que mudou de 2012 para 2013? Arrisco-me a dizer que quase tudo mudou. Se a preocupação de Valtari era a de nos gerar paisagens calmas, tranquilas e belas como o gelo islandês, a de Kveikur é sobretudo a de nos chocar; a filosofia sónica é, de certa maneira, idêntica à de Agáetis Byrjun. E é-o de uma maneira peculiar, pescando as passagens mais pesadas como de, por exemplo, Ný Batterí e mesclando-as com as vozes acalmantes que já lhes são bastante características. Kveikur é todo ele assim, vive sempre nos dois polos – no mais pesado e sombrio, o mais notório e a grande vitória do disco, e naquele que se adivinha mais terapêutico, capaz de nos reconfortar com aquelas vozes quase mágicas. O que podia ser um risco, revelou-se um triunfo. E passados largos anos ainda temos Sigur Rós a fazer bons discos. Mas e agora, afinal sobre o que é que os gajos cantam? Nem interessa, sabe bem ter um sorriso na cara sem saber bem o porquê.
Nota final: 8.6/10

7.21.2013

3 em 1 - #10

Estivemos de férias, mas agora voltámos. Aqui está a prova:

Kanye West - Yeezus (2013)

Se Kanye West é Yeezus, então eu sou Deeus.

Falar-se do novo álbum de Kanye West sem se falar em Death Grips devia passar a ser punido por lei. Isto porquê? Porque sem aquilo que, sobretudo, The Money Store ou No Love Deep Web ofereceram de novo ao panorama do hip-hop experimental era quase impossível fazer-se um registo como Yeezus. Poderá soar a hipérbole, talvez até seja, mas a verdade é que não consigo olhar para malhas descomunais como I Am a God, I’m In It, Black Skinhead ou Blood On The Leaves sem me vir a cabeça a atmosfera absolutamente inóspita que a banda de MC Ride cria em qualquer uma das suas composições (e aí, talvez o exemplo maior que consiga dar seja mesmo a No Love, de NLDW). Não que esteja uma coisa totalmente igual, porque não está; é como se tratasse de Death Grips para meninos: está tudo lá, mas tudo em versão menos diabólica. E isso podia não resultar muito bem, mas no fim de contas o resultado é excelente. E para isso a produção do disco contou com nomes de peso, como Daft Punk ou TNGHT, apesar destes últimos serem uma das piores bandas de sempre e de quase arruinarem o disco (ouça-se Hold My Liquor). Yeezus desenlaça-se com Bound 2, a única música em que “olhamos” para ela e pensamos “Isto é Kanye West”. Mas a verdade é que tudo é Kanye West, e quase tudo continua no sítio certo. Um risco gigantesco, mas um triunfo ainda maior. 

Nota final: 9.0/10


            Queens Of The Stone Age ... Like Clockwork (2013)

Super Bock Super Rock é merda, mas...
Há muito que os Queens Of The Stone Age estão mais preocupados em fabricar música de carácter menos pesado do que aquilo que faziam inicialmente, como está, sobretudo, patente em Songs For The Deaf, de 2002. Porém, a receita mantém-se quase sempre a mesma: riffs maiores que a vida, uma voz já inolvidável de Josh Homme e quilates de ouro a banhar um legado já único na stoner rock. … Like Clockwork compra tudo isso, e comprova ainda mais: o novo dos QOTSA suplanta qualquer disco desde o próprio Songs For The Deaf. Pá, esqueçam a No One Knows só porque lá entra (lol, risos javardos) o Dave Grhrol (e sim, é um malhão do caralho). A I Appear Missing dá-lhe uns quinze a zero, fora de merdas, e para isso ouça-se a versão de álbum e não o single edit que saiu tempos antes de … Like Clockwork ter conhecido a luz do dia. E mesmo a julgar pela primeira amostra que houve do registo, My God Is The Sun,  está tudo onde deve estar: há a certeza que a salvação, dentro do rock, ainda é uma máxima e quando tudo necessita de abrandar o passo, existem momentos abrasivos que nos vão acalmando os ouvidos. O disco é todo ele assim, e, por isso mesmo, é, por certo, um dos grandes discos do ano. 

Nota final: 8.7/10

                           Mikal Cronin MCII (2013)

Melhor disco... na categoria "disco mais choninhas do ano".
A primeira vez que ouvi MCII foi género “Ya, está fixe”. Ouvi a segunda vez, comecei a enjoar. Ouvi a terceira, filho da puta do gajo e da sua voz choninhas como o caralho. É certo que o gajo vai ao Milhões de Festa, e que, por isso, devia estar a falar bem do menaço. Só que ya, não suporto o filho da puta do gajo. Também podia estar a falar bem dele só porque já teve uma colaboração com o Ty Segall e assim, mas, pá, não suporto o filho da puta do gajo. Também podia estar a falar bem do gajo porque o disco dele teve uma aceitação da crítica bastante positiva, mas, pá, não suporto o filho da puta do gajo. É que em termos de trabalho de guitarra, MCII não é um disco mau, longe disso. Mas depois o gajo canta. E canta mal. Bastante mal. Ele não canta, porque tem uma voz choninhas como o caralho. Citando Romário, esse astro brasileiro, “Mikal Cronin, cara, calado você é um poeta”. 

Nota final: 0.5/10 #hypespitchfork

4.24.2013

3 em 1 - #9



Heatsick - Déviation (2012)

Aqui está um disco feito com pouquíssimos meios, mas que soa melhor do que a maior parte da música mainstream. É um house/techno minimalista em sonoridade mas riquíssimo em melodias e ritmos viciantes, tornando a tarefa de permanecer imóvel perto de impossível. Música electrónica de teclado tocado à mão, é da maneira que o feeling e a noção de limite da repetição está nos braços e não no clique do rato, onde é só copiar e colar. Como em todo o house, aqui há alguma repetição, mas é tão hipnotizante e bem executada que passa mesmo muito bem, e com um replay value valente. A batida é quase sempre a mesma e faz-me lembrar o que se tocava nos "jambés" na altura do ciclo, aquela batida que sai quase instantaneamente que, por ser tão simples, é a que mais sentido faz ali. Os vocais da No Fixed Address são um exemplo da genialidade com que se torna o simples em bom neste disco.

Nota final: 8.8/10



Jewels - Só no fim (2013)

A ideia nem era de falar de álbuns simples, mas, já que aqui estamos, continuemos. Jewels é um projecto de metade das Pega Monstro. A metade baterista mostra a sua faceta melódica, lírica e intimista, num lo-fi que me soa demasiado bem para não o referir. Acho que de outra forma não seria tão bom porque as canções encaixam perfeitamente na sonoridade, assim como acontece nas Pega Monstro. Uma guitarra desafinada com acordes estranhos, mas bons, com a melodia vocal que interessa e as letras mais directas de sempre. Vale a pena conferir porque é de download gratuíto no bandcamp e só tem 8 minutos, mas que multiplicados pelas vezes que os vão ouvir podem-se tornar em algo bem maior.

Nota final: 8.0/10



Burial - Truant (2012)

Fugindo agora um pouco da simplicidade, mas não demasiado, apresento-vos o último single dum nome para muitos conhecido, e para alguns, como eu, idolatrado. Untrue já vai longe, e depois de Street Halo e Kindred espera-se cada vez mais deste génio. Ele tem conseguido mutar-se muito bem a cada lançamento, mantendo a sua sonoridade incrível e que é irreplicável sem que soe um autêntico rip-off. Isto tem o nome dele, alguém que tenta o mesmo vai-se sair mal. Uma coisa importante de referir é que isto pode ser um single, mas em termos de conteúdo é um álbum. Temos duas músicas (teoricamente, porque cada uma tem prai umas 4 partes diferentes) num total de quase 26 minutos, sempre interessante, sempre variado, com algumas partes mesmo muito boas, como o final da Truant. Isto é boa música electrónica com um formato e sonoridade diferente do habitual, parecendo uma mixtape de beats brutais e ambiências únicas. Ah, e é dubstep.

Nota final: 8.4/10


3.25.2013

3 em 1 - #8



O três em um está de volta, como puderam constatar pela merda do link que viram algures pelo facebook e que vos fizeram vir cá ter. Ou não. Mas isso não interessa, ok. Hoje vamos falar do empate de Portugal em Israel. Lol, na brinca. Hoje vamos falar de três álbuns já deste ano e que já deviam ter ouvido. De quem são? São os novos álbuns de Jim James, Chelsea Light Moving e Suuns.

Jim James - Regions Of Light And Sound Of God (2013)

Capa - Jim James a olhar para cenas.
  
Jim James é o senhor que se esconde por detrás dos My Morning Jacket, banda que, sinceramente, nunca andou muito pelo meu Windows media player, vlc player, winamp, itunes ou qualquer outra que reproduza música num computador (ya, não sei bem os termos técnicos das cenas informáticas). A cena é que este novo álbum do nosso Jim está verdadeiramente apelativo, a começar pela música que lhe dá início: a sublime State Of The Art (A.E.I.O.U.) – já no meu pódio das melhores músicas de 2013 até à data -, onde as teclas se maculam em pequenas texturas psicadélicas. A partir daí, a qualidade mantém-se, mas nunca chega a atingir o ponto que a primeira faixa promete: ao longo do registo há quebras de ritmo a alternar com acelerações espontâneas, há teclas por todo o lado, há folk multifacetado patente em New Life, há esqueletos pop a incrassarem-se carnalmente com a vertente psicadélica que Jim imprime nas suas composições, mas há, sobretudo, uma promessa que ficou por cumprir e que foi dada na primeira faixa. Falha no alinhamento do álbum? Ya, talvez. Esperava mais, Jim. Nota final: 7.5/10


Chelsea Light Moving – Chelsea Light Moving (2013)

Saudades dos Sonic Youth

Os Sonic Youth morreram, mas a sua alma ainda está viva; vive em cada um dos elementos que constituía a banda e Thruston Moore comprovou isso mesmo neste seu novo projecto musical. Chelsea Light Moving, homónimo de estreia, traz-nos uma sonoridade que nos deixa a pensar “Hey, já ouvi isto algures”. E isso não consegue passar por despercebido e tem o seu ponto maior em temas como Sleeping Where I Fall, que, por acaso, até é um dos melhores temas do registo. Porém, existe uma vontade, embalsamada em timidez, em explorar novos territórios sonoros; territórios, esses, que se anotam mais noise e pesados. Territórios que se explodem na distorção ininterrupta aplicada nas guitarras. É aí que os Chelsea Light Moving ganham. Alighted ou Burroughs exsurgem-se com símbolos maiores e fazem com que este disco de estreia esteja bom, menos “Sonic Youthazado”. E ainda bem. Nota final: 7.7/10


Suuns Image Du Futur (2013)

Os Suuns são uns maus alunos, mas tiram nota 20 a algumas disciplinas.
 
Os Suuns já nos tinham dado em Zeros QC provas suficientes que poderiam ser uns dos grandes, não obstante o disco estava repleto de falhas. Havia uma incoerência gigante ao longo do registo, mas acima de tudo existia uma indecisão implícita quanto à sonoridade que estes queriam fazer; era um jogo de indecisões e o disco ora se revelava mais ambiente ora mais barulhento, mas sempre com o seu corpo psicadélico lá. Passados três anos, as indecisões mantêm-se. Porém, há uma maturação significativa face ao primeiro registo da banda. Há mais barulho – e a verdade é que os Suuns se revelam melhores e mais apelativos quando soltam mais barulho. Mirror Mirror é malhão. Eddie’s Dream é fofa. E Music Won’t Safe You é gira. O resto? Tudo na mesma e os Suuns continuam indecisos quanto ao som que querem fazer. E é pena que assim seja, porque curto mesmo destes gajos. Bem, à terceira é de vez. Oremos. Venha daí o novo álbum. Nota final: 6.8/10

3.17.2013

3 em 1 - #7

O 3 em 1 de hoje só fala de bandas que não interessam a ninguém, por isso, se fosse a vocês, dava meia volta e não perdia mais tempo nenhum com isto.




Joy Orbison - Ellipsis (2012)


Um dos produtores mais promissores quando este género (future garage/dubstep/etc) estava em explosão revelou-se uma desilusão. O adiamento do lançamento de um longa duração, ou falta de interesse do próprio em fazê-lo, fez com que o hype se desvanecesse. Single após single, Joy Orbison não tem feito nada de transcendente como tinha feito em Hyph Mngo ou Smother, duas das melhores músicas que alguma vez ouvi no género, mas encontra aqui alguma melhoria em relação a outros lançamentos. O problema é que essa melhoria se deve muito ao b-side, um remix do outro mundo que é melhor que a própria faixa single, coisa que não abona nada a favor do futuro do outrora grande Joy O. Resta esperar que alguém se lembre de o trazer de volta a Portugal num lugar que não seja Lisboa (olá Milhões de Festa, estão a ler?) para ver se as sets live do senhor são assim tão boas como dizem. 
Nota final: 6.3/10




Red Guitars - Slow to Fade (1984)


Red Guitars é talvez a melhor explosão de alegria que encontrei nos últimos tempos. É um post-punk quase ska provavelmente muito inspirado pelos saudosos e icónicos The Clash, por isso, quem gosta destes últimos, tem aqui uma excelente oportunidade de descobrir outra banda de interesse dos anos 80. Ao contrário da esmagadora maioria do post-punk, este álbum é mesmo muito feliz e cheio de melodias solarengas e bem dispostas, cheio de guitarras balançantes e viciantes, linhas de baixo enormes e com uma produção que acho fantástica. Tão viciante como qualquer banda de punk-ska, mas com as ideias mais artísticas e interessantes do post-punk. Ouve-se muitos ecos deste género, assim como de música do mundo por vezes, mostrando assim a versatilidade e originalidade deste disco. Além disso, consegue ser inspiradíssimo do início ao fim, com autênticos hinos ao nível de muita coisa em London Calling
Nota final: 8.0/10




Kayo Dot - Choirs of the Eye (2003)


Lembro-me como se fosse hoje do concerto destes rapazes em 2009 no Passos Manuel (Porto), um evento com o custo quase simbólico de 8€ que se revelou avassalador, memorável e orgásmico para quem quis fazer esse investimento. Apesar de andar a ouvir o último disco deles neste momento, decidi recomendar-vos este álbum porque é, indiscutivelmente, o melhor. Além de ser o melhor, ganha o bónus de ser também um dos melhores álbuns de sempre. Mas sem merdas. É um bocado complicado de descrever, mas nota-se que é aqui atingido um ponto alto da música moderna, um marco por assim dizer. É preciso ouvir e dar-lhe o tempo necessário, porque quando começa a entranhar (e isso acontece rápido para quem já tenha os ouvidos treinadinhos) pode tornar-se perigosamente adorável e avassalador ao mesmo tempo. Se isto ajudar, têm um frontman que tanto faz lembrar Jeff Buckley como consegue atingir os gritos mais profundos e arrepiantes que já ouvi, principalmente ao vivo. Ao mesmo tempo ainda consegue ser guitarrista a tempo inteiro, com algumas das melhores peças que já ouvi. Este é um álbum obrigatório a qualquer verdadeiro amante de música, está dito. Nota final: 9.2/10

3.07.2013

3 em 1 - #6

Boa tarde, aqui fica mais um 3 em 1 cheio de bandas que ninguém vai querer saber, mas eu também não tenho mais que fazer por isso aqui vai.


Mothlite - Dark Age (2012)



Uma banda com potencial para agradar a muita gente. Um álbum muito diversificado, relativamente simples e acessível, mas, ainda assim, cheio de qualidade, inovação e frescura sonora. É algo muito diferente e fora do habitual, mas que consegue ser pop na mesma e, de vez em quando, ainda ficar no ouvido. Cheio de pormenores bem conseguidos, percussões muito trabalhadas, melodias que ficam com o tempo e com o passar das audições, uma voz que faz lembrar uns Ulver no seu melhor estado. E tudo o resto também: "The Blood" é facilmente um dos pontos mais altos de 2012. Flax of Reverie é o próximo disco a ser ouvido, com a expectativa de que os pontos fracos deste álbum se dissipem nesse. Nota final: 7.4/10


Dirty Projectors - Bitte Orca (2009)




Assim como o álbum de Mothlite, temos aqui mais uma pérola da pop experimental, neste caso diluida numa espécie de math-rock feliz e bastante cantado. Adoro a maneira como incorporam, de maneira discreta, tempos e melodias bastante estranhos e peculiares, sem que o ouvinte dê muito por isso, acabando este por gostar de várias músicas à primeira audição. É assim que a pop se quer: ambiciosa e com o jeito certo de nos agarrar a ela. E os Dirty Projectors sabem-na fazer, basta experimentar a "Stillness Is The Move" para entender do que falo. É pena que no resto do álbum nada seja tão memorável quanto este musicão, apesar de ser uma experiência sonora muito refrescante. Nota final: 6.9/10



O Bisonte - Mundos & Fundos (2012)




Considero-os uma das novas bandas a acompanhar no panorama nacional. Tive a oportunidade de os ver no Integr@te (lol) e adorei o concerto e a energia que conseguem impor nas suas canções, um dos pontos fortes na sonoridade deste rock'n'roll apunkalhado com muitos traços de Post-Hardcore e Ornatos. Uma mistura que se revela interessante, directa e "sem merdas", mas que facilmente se pode tornar aborrecida e pouco relevante para me fazer recomendá-los a toda a gente. Gosto muito e acho que funciona melhor ao vivo, num ambiente enérgico que não o do Integr@te. Fico, por isso, à espera que estejam no Milhões de Festa este ano. É merecido e vai ser bombástico. Nota final: 6.6/10

3.03.2013

3 em 1 - #5



Ya, parece que estive de férias. Mas não estive, seus cabrões. Pensem lá melhor na vida de pessoas que têm de trabalhar e dar sustento cá em casa antes de as julgarem. É preciso manter a certeza de que há alimento para os nossos filhos, foi isso que fiz. Agora que volto, escrevo-vos novamente um 3 em 1. Desta feita, falo-vos de Shy Guy Says (lol, quem?), Metz e Mono, made in Japan.


Shy Guy SaysSucraphernia (2011)

lol, sgs? o que é essa merda?
Quem são os Shy Guy Says? Não faço a puta da ideia, sei apenas que são do caralho. Que género é? Não faço a puta da ideia, sei apenas que é mais math rock que outra coisa. Sucraphernia é um dos álbuns mais interessantes que descobri no último ano: há uma abordagem sonora pouco delicada, muito suja (facto cimentado pela produção demasiado lo-fi do registo) a géneros como o post-rock. Convenhamos, este disco deve ter sido gravado às três pancadas numa garagem qualquer de um dos elementos da banda. E, talvez, até isso é isso que o torna tão desleixadamente interessante: a entropia sonora apaixona-me. Pode não ser um disco perfeito, não foi feito com esse fim… mas, pessoal, aqui até os interlúdios são malhões. Há barulho em tudo. Um barulho desleixado. Um barulho pouco pensado mas que se extravasa como delicadamente arquitectado. Sucraphernia foi pensado para que fosse pouco, mas a verdade é que conseguiu ser muito: ouçam esta merda, por favor. Nota final: 8.6/10



MetzMetz (2012)

Com Metz até te quê? Isso mesmo.
Gosto de Metzê-lo. Metzê-lo todo lá dentro. Gosto de metzer respeito. Metzs respeito, tu? Metzam-se mas é no caralho, agora que já esgotei os trocadilhos todos com Metz. Os Metz são canadianos, ya do mesmo país que os enormes Godspeed You! Black Emperor ou que Arcade Fire, e são quase uns putos. Poucos mais velhos que eu, mas crescidos o suficiente para me dar uma sova do caralho, mesmo que essa sova seja puramente sonora. Punk, post-hardcore, noise? Uma beca de tudo. O disco de estreia dos canadianos é bombástico. Caótico. Cenoso. São estas as palavras que podem definir o dilúvio sonoro que os Metz nos proporcionam e recitam durante os 30 minutos mais rápidos e incrivelmente leves de sempre. Tudo explode em Wet Blanket ou tudo se gasta em Wasted, mas a verdade é que música desta jamais se gastará nos nossos ouvidos. Estes cabrões metzem respeito. COM METZ, ATÉ TE EXPLODES! Nota final: 9.1/10



MonoYou Are There (2006)

Fabricado no Japão
Foda-se, caralho, merda para esta vida. Esta frase pode resumir a minha tristeza por não os ter visto há uma semana atrás no Hard Club. O For My Parents está uma beca merdoso, muito ambiental e a puxar a carroça para caminhos muito frios, lá no seio da Islândia, mas os Mono já nos provaram que são uma das bandas que mais dá beleza e encanto ao post-rock. Em 2006, lançaram-nos um dos mais brilhantes alguns dentro do género, intitulado You Are There. O álbum exprime toda uma profundidade. Poucos dentro do género conseguiram ser tão viscerais. Vale pelo todo e consegue agarrar-nos do início ao fim; das ambiências orquestrais mais refinadas às explosões de barulho que nos concitam os sentidos. Das paisagens mais quentes aclimadas pela brisa que o som dos nipónicos nos proporciona aos ventos tempestuosos que se alevantam pelo caos instrumental que nos aparece e nos enxovalha como se de apocalipse se tratasse. O resultado? Um misto de emoções. Um misto que faz com que não nos saibamos sentir depois de o ouvir. Um misto que nos leva a repensar nas coisas que brotam das nossas acções. Um misto que nos vai comburindo a alma de uma maneira harmoniosa e hipnótica. Nota final: 9.6/10