3.08.2013

10 Músicas Que Me Fazem Sentir Cenas - #1



Estreia do 10 músicas que me fazem sentir cenas. *Tudo ao rubro* Yeaaaaaaaaah. Hoje vamos jogar em 4x3x2x1. As razões? Não há razões. Só quero que as músicas mais setentistas e afins (saudades era do rock e dos Pink Floyd. E dos Led Zeppelin. E dos The Who. E dos sei lá. E dos Tame Impala. Ah, espera) suportem e defendam parte destas minhas escolhas e que lancem os sonoros mais actuais e aquele que, na verdade, mais oiço lá para o ataque. O negócio? É negócio é metê-la toda lá dentro. A bola, isto é. “Ó Emanuel Graça, o que andas praí a dizer, homem?”. Não faço puto de ideia, mas certo. Prossigamos para o meu onze da semana. Onze? Epá, calem-se, já vão perceber.


Guarda-Redes: Pink FloydEchoes

Não dava para escolher outra música que não esta, porque esta foi uma das músicas que irremediavelmente me tornou um apaixonado por música na sua real acepção. Quando era puto. Isto é, quando tinha 15 anos, dizia “hey, opá, não fumes drogas. Ouve Pink Floyd”. A verdade que este dito ainda se mantém moderadamente válido no meu parecer. Mais que psicadélica, Echoes é uma merda física; que te vai fodendo os neurónios à medida que vai correndo e que se ecoa e faz latejar todo o teu sistema cardíaco. Daí a ser guarda-redes? Pá, na baliza precisamos sempre de um nome seguro. 



Defesa esquerdo: Nick DrakePink Moon

Li há dias num artigo da merdosa-Blitz-que-às-vezes-vai-tendo-uns-artigos-interessantes-via-quase-sempre-Rui-Miguel-Abreu que Nick Drake jamais foi pressionado por um produtor para introduzir na sua música o que quer que seja. A verdade é que para quem conhecia a sua exímia obra não era isso que era mais vincado; Drake pensava sempre o particular pelo todo e unificava orquestras que salivam jazz mas que não passavam de um folk com mais corpo. Depois disso, surgiu aquele que é o meu álbum folk favorito da história internacional da música, intitulado Pink Moon. O resultado? Músicas como esta. A explicação para ser defesa esquerda? Não sei.




Defesas centrais: The StoogesI Wanna Be Your Dog e The DoorsWhen The Music’s Over


A missão dos defesas centrais é aniquilar os avançados. Por vezes um defesa-central tem que ser cão de um avançado, mas não um cão qualquer – isto é, tem de ser o seu melhor amigo; andar sempre junto dele, para depois, quando surgir oportunidade, lhe dar uma mordidela a modos de lhe arrancar um testículo – tem de ser como aquele cantor, o pitbull. Ah, afinal é uma raça de cães. Tem que lhe tirar engenho e silenciá-lo. Não pode haver música. Olá, Doors. E fica a deixa que quando arranjar gaja vou cantar-lhe a Wanna Be Your Dog bué vezes, porque, ya, é bué romântica. Miúda, se me estiveres a ler; ganha consciência disso. Um beijão. E comunica. Sei lá.





Defesa direito: Led Zeppelin Dazed And Confused

Quando jogava Football Manager, o meu defesa direito era sempre ofensivo. Tinha que ser rápido e essas merdas todas, bem ao estilo de jogo brasileiro. É por isso que escolhi esta música. Dazen And Confused retrata essa merda toda; a velocidade dos riffs que por lá andam quase que ultrapassa a velocidade do meu defesa-direito ideal. E é um defesa que rocka p’ra caralho, foda-se. Saudades dos meus 17 anos. Saudades de ouvir Led Zeppelin.




Médio Defensivo: Sonic Youth - ‘Cross The Breeze

Vem aí a transição, isto não é um Gattuso. O meu médio defensivo é mais ofensivo e dá menos tareia, além de não ter ar de siciliano. E também traz consigo o avançar do tempo. Vamos para 80’s, caralho (90’s, vá…) O escolhido? ‘Cross The Breeze, dos Juventude Sónica. Não, não é a música dos Linda Martini que estou a falar. O porquê de o colocar a trinco? Porque ‘Cross The Breeze começa num ataque sonoro do caralhão, como se a bola fosse, tipo, à barra, mas não. Depois há um contra-ataque e a tendência inverte-se: o som acaba de uma maneira pouco agressiva. Como se, tipo, acabasse de ganhar a bola algures a meio-campo. É mais ou menos isso.




Médios Centro: My Bloody Valentine -When You Sleep e João Moutinho

Os My Bloody Valentine vêm ao Primavera. Foda-se, caralho, aleluia, puta que vos pariu a todos. Isso explica o facto de a When You Sleep jogar a médio-centro? Não. Esse malhão joga a médio-centro porque faz todo o sentido que jogue a médio centro: o médio centro é aquele cérebro que nunca dorme, que tem sempre os olhos no jogo. Concentração, sócio. E que aproveita os erros dos outros e os alia ao seu engenho. When You Sleep. Está tudo no título. O outro médio tinha que ser obviamente João Moutinho, porque, lol. Vocês sabem porquê.




Extremos esquerdo: MoonshakeTaboo

Os extremos devem acatar consigo autênticos engenhos escondidos. Imprevisíveis. Taboos. E Taboo é um taboo. E os Moonshake são um taboo porque ninguém-quer-saber-deles-e-eu-ejaculo-me-bué-de-vezes-cada-vez-que-os-oiço-sou-mesmo-feliz-quando-os-ouço-recomendo-vos-bué-e-o-Dirty-And-Divine-é-um-dos-melhores-álbuns-de-sempre. Trip Hop / Post-Rock / Shoegaze? Não sei. Ainda hoje me intrigo quando os ouço. São uma das melhores bandas de sempre.



Extremo-direito: SwansThe Sound

Os Swans são, tipo, uma criação de um ser superior. Mas que não nos deixemos enganar: o The Seer em nada é o melhor álbum deles. Soundtrack for the blind sempre. Drones todas fodidas, barulho e mais barulho. Há um vómito cerebral quando ouço The Sound. E no outro dia ouvi-a numa reportagem da TVI. Ajudai-me, senhor. Porque é que o coloquei a extremo? Por isso mesmo. Pelas extremidades a que esta música se descinge; a parte inicial numa atmosfera sinistra e o corpo que se vai tomando robusto e que no fim expele mau-estar. Um vómito sonoro? Não sei. Nem sei o que isso significa.




Ponta de lança: Godspeed You! Black Emperor - Storm


Foda-se, como amo post-rock. Do bom, claro. Se há música que contém mensagem, as músicas dos Godspeed contêm manifestos inteiros. De paginação dez vezes superior aos minutos de cada uma das suas músicas. Lift Your Skinny qualquer merda é um dos melhores álbuns de sempre, em breve falarei dele aqui no Música Sem Merdas. Que não haja dúvidas. Porquê ponta-de-lança? Porque poucas bandas conseguem alcançar tão profundamente a nossa alma como os GY!BE. Não falham, dá sempre golo. A vitória foi nossa. E ontem deram altos trovões.
 

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